Notícias dos Bolseiros Moçambicanos no Japão

 

Testemunho 2: Sr. Jeremias Malôa

 

8.Mar.2011


Jeremias, visita ao Castelo de Osaka

Meu nome é Jeremias Clemente Malôa, em Japonês escreve-se ジェレミアス クレメンテ マロア. Encontro-me a fazer o mestrado em Desenvolvimento Internacional com especialidade em Economia de Desenvolvimento e Políticas de Gestão. A minha pesquisa é sobre transferência de tecnologias microfinanceiras. Desde 2009, vivo e estudo na cidade de Nagoya, Aichi, no centro do Japão, a terceira maior cidade metropolitana do Japão (a seguir a Tokyo e Osaka). A Universidade de Nagoya, instituição à qual me afilio, é uma das mais prestigiadas universidades no Japão, e foi fundada em 1871.

É uma grande oportunidade estudar no Japão e ser parte de Instituições seculares, mas além disso, aprender sobre aspectos ligados à cultura japonesa que são a pedra basilar do desenvolvimento desta nação. Refiro-me assim porque é através das relações inter-pessoais que encontramos o mais precioso capital para o desenvolvimento, o capital humano.

O Japão fez um investimento massivo na educação e tornou-se num dos países com maior taxa de alfabetização, e a dedicação à produtividade e poupança, minunciosidade ao detalhe, cultura e diversidade, fazem do Japão um lugar muito prazeiroso e confortável de se viver e explorar. É de salientar que foi através de pequenos projectos iniciados por pequenos empresarios que transformaram a economia japonesa em líderes de inovação e tecnologia.   

Mas educação sem capital social não faz muita diferença. Admiro-me pela maneira como o povo japonês é capaz de trabalhar em grupos e coordenar actividades com vista ao benefício comum. Por exemplo, o Governo japonês planeiou e executou estratégias de redistribuição de renda entre os sectores de produção bem como entre indivíduos, de modo a evitar disparidade de classes e outros conflitos. É admirável ver que os japoneses, na sua vasta maioria, são cidadãos de classe média.

Como estudante de desenvolvimento, tenho prestado atenção nestes exemplos como intuíto de ver como podem ser usados em países em vias de desenvolvimento como Moçambique. É uma outra perspectiva em relação às questões de desenvolvimento. As abordagens de desenvolvimento a que estamos habituados são, na sua maioria, baseadas em estudos ocidentais, mas são os países asiáticos que estão a registar melhor desempenho económico nos últimos anos e o Japão tem jogado um papel muito importante na região.

Ademais, a presença de estudantes moçambicanos no Japão é uma oportunidade para promover as potencialidades do país. Tenho sido convidado a fazer várias apresentações sobre Moçambique (na Universidade assim como noutras instituições), o que revela a imensa curiosidade e avidez do povo japonês em aprender mais sobre o nosso país. É minha expectativa que as relações entre Mocambique e Japão se incrementem ainda mais.


Actividade cultural, cerimónia de chá  

Nota: A opinião expressa pelos bolseiros no artigo aqui publicado, não veicula necessariamente o posicionamento desta Embaixada. A Embaixada do Japão não se responsabiliza pelos conteúdos aqui publicados.